PRIORIDADES E GESTÃO DO TEMPO: O QUE A REFORMA TRIBUTÁRIA ESTÁ TENTANDO NOS ENSINAR (E POUCOS ESTÃO PERCEBENDO)

  • Epac Contabilidade
  • 16/04/2026
  • Contabilidade

PRIORIDADES E GESTÃO DO TEMPO: O QUE A REFORMA TRIBUTÁRIA ESTÁ TENTANDO NOS ENSINAR (E POUCOS ESTÃO PERCEBENDO)

https://itcnet.com.br/biblioteca/2024/tributario/Reforma_ampulheta_itc_580x330.png

Eu tenho visto muitas empresas discutindo a Reforma Tributária.

• Planilhas.

• Simulações.

• Debates técnicos profundos.

Mas, curiosamente, poucas estão falando sobre o verdadeiro desafio por trás de tudo isso: como decidir o que fazer primeiro — e quando fazer.

Porque a verdade é simples, e um pouco desconfortável: A Reforma não é só sobre tributos. Ela é, acima de tudo, sobre prioridades e gestão do tempo.

O momento em que tudo começa a dar errado

Imagine uma área fiscal no meio da transição. O time continua com o compliance diário. As obrigações não diminuem. Os prazos continuam pressionando.

E, ao mesmo tempo, surgem novas demandas:

• diagnóstico da Reforma;

• revisão de contratos;

• discussões com TI;

• análises de impacto no negócio.

Tudo parece urgente. Tudo parece importante. E é exatamente aqui que começa o problema.

Sem clareza de prioridades, a área entra em um ciclo perigoso:

• apagar incêndios;

• responder urgências; e

• adiar o que realmente importa.

Segundo a McKinsey & Company, profissionais que não estruturam prioridades podem perder até 40% da produtividade em atividades de baixo impacto.

E, em um cenário de Reforma Tributária, isso custa caro.

Prioridade não é lista — é decisão estratégica

Existe um erro comum que eu tenho observado: muitas empresas criam listas enormes de ações para a Reforma.

Mas prioridade não é quantidade. É escolha. E escolha exige coragem.

Coragem para dizer:

• isso vem agora;

• isso pode esperar; e

• isso não será feito.

Quando olhamos para empresas mais preparadas, um padrão aparece. Estudos da Deloitte Brasil mostram que organizações que estruturam suas prioridades desde o início reduzem significativamente retrabalho e custos na transição.

E o que elas fazem de diferente? Elas começam pelo essencial.

? entendem seus impactos reais

? mapeiam riscos críticos

? organizam a base antes de acelerar

Sem isso, qualquer avanço vira retrabalho.

O tempo como ativo estratégico (e não operacional)

Agora vem a segunda camada, e talvez a mais negligenciada.

Mesmo quando as prioridades estão claras, muitas áreas falham na execução.

Por quê? Porque continuam tratando o tempo como algo operacional.

A lógica tradicional é: "vou fazer quando der tempo".

Mas na Reforma Tributária, isso não funciona.

O tempo precisa ser protegido. Precisa ser planejado. Precisa ser estratégico.

Empresas mais maduras têm adotado uma lógica simples, mas poderosa:

• parte do tempo protegida para o presente (compliance);

• parte do tempo protegida para o futuro (transição).

Sem essa divisão, o futuro nunca chega — ele sempre é adiado.

O ponto de virada: quando prioridade encontra tempo

É aqui que acontece a transformação real. Quando prioridade e tempo começam a trabalhar juntos.

Eu gosto de pensar nisso como um filtro. Tudo o que é importante entra. Mas, só o que tem espaço no tempo é executado.

E isso muda completamente o jogo. Em vez de sobrecarga, há direção. Em vez de urgência constante, há ritmo. Em vez de reação, há estratégia.

Segundo a PwC Brasil, empresas que estruturam sua gestão de projetos na transição tributária conseguem reduzir significativamente riscos operacionais e aumentar previsibilidade.

E previsibilidade, nesse cenário, é uma vantagem competitiva.

A Reforma Tributária não é sobre tributo

No final, depois de tantas discussões técnicas, uma percepção fica clara: A Reforma não está apenas mudando regras, ela está mudando a forma como trabalhamos.

Ela exige:

• visão de longo prazo;

• disciplina de execução;

• clareza de decisão.

E, principalmente, exige que a gente responda uma pergunta difícil: o que realmente importa agora?

Porque quem souber responder isso e tiver disciplina para agir com consistência não vai apenas passar pela transição, vai sair dela em outro nível.

Para refletir

Talvez o maior risco da Reforma Tributária não seja errar o cálculo, mas errar a prioridade.

E, no cenário que estamos vivendo, tempo e prioridade não são apenas ferramentas de gestão, são diferenciais de liderança.

Fonte: Portal Reforma Tributaria.